A criança está brincando em um canto, sozinha. Mas de repente dá risada. Joga a bola para… quem? E logo começa a conversar com alguém… mas com quem ela está falando?
Quem tem filhos já se deparou com cenas assim. Os amigos imaginários costumam fazer parte da infância. Mas perto dos 6 anos, quando realidade e fantasia começam a se dissociar, esses companheiros costumam ser deixados para trás.
Na literatura, os amigos imaginários podem assumir várias formas: de gente, de bicho, de coisas… Selecionamos alguns livros que mostram como as crianças são capazes não apenas nutrir afeto, mas de criar laços especiais com o que sua imaginação for capaz de inventar.
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Tulipa (Pequena Zahar, 2025), de Paula Schiavon
O segundo livro escrito e ilustrado por Paula Schiavon habita o campo da subjetividade e do afeto, da amizade e da arte. Tulipa e Júlia passam as tardes juntas no verão, brincando de rainhas. No quartinho azul mora o tio de Júlia, o rei da brincadeira. Um rei que como Júlia coleciona miudezas – recolhe folhas, pedras, botões…Um rei que tem uma linguagem própria, a linguagem das crianças e dos artistas, aquela que todo mundo nasce sabendo, mas desaprende.
Tem um tigre no trem (Brinque-Book, 2025), de Mariesa Dulak e Rebecca Cobb, com tradução Nina Rizzi
No trem, o pai está distraído no celular. E nem vê que um tigre de cartola, todo arrumado, dá bom dia ao menino e se senta bem ao lado dele. “Papai, papai, você viu?” O menino pergunta. Mas o pai nem nota. Logo entra no vagão um bando de jacarés. Depois três hipopótamos trazendo chá e docinhos… e muitos bichos mais logo se juntam no vagão. E assim, a viagem rumo ao mar se torna cheia de agito para um menino cheio de imaginação.
A velhinha que dava nome às coisas (Brinque-Book, 2002), de Cynthia Rylant com ilustração de Kathryn Brown e tradução Gilda de Aquino
Havia uma velhinha que morava em uma casa, muito, muito sozinha. Tão sozinha que ela começou a nomear as coisas – porém apenas aquelas que ela pensava que durariam mais que ela. Foi assim que a casa ganhou o nome de Glória. E que o carro virou Beto. Desse jeito, ela se sentia menos sozinha com a companhia de seus amigos inanimados. Mas tudo mudou quando ela recebeu a visita de um cãozinho… que decidiu não ir embora.
Gorila (Pequena Zahar, 2015), de Anthony Browne e tradução de Ana Tavares
Hanah era uma menina que amava gorilas. Mas ela nunca tinha visto um de verdade. Seu pai nunca tinha tempo para ela – muito menos para levá-la ao zoológico. Na véspera de sua aniversário, Hanah sentia coceirinhas de emoção na véspera de seu aniversário: ela queria um gorila! E ganhou um… mas de brinquedo. Até que à noite, algo mágico acontece: e o gorila ganha vida, convidando a menina a viver a noite mais mágica de sua vida.
A menina jurássica (Companhia das Letrinhas, 2023), de Vanna Vinci com tradução de Nathália Dimambro
Nina era uma menina completamente apaixonada por dinossauros. Ela só via filmes de dinossauros, desenhava dinossauros e carregava para cima e para baixo o Dino, seu velocirraptor de pelúcia. Nina gostava tanto, mais tanto dessas criaturas pré-históricas, que um dia o que ela mais desejava aconteceu: e seu quarto foi invadido por dinos.
Onde vivem os monstros (Companhia das Letrinhas, 2023), de Maurice Sendak com tradução de Heloisa Jahn
Depois de ser mandado para a cama sem jantar e ver uma floresta invadir a noite de seu próprio quarto, o menino Max foi parar na terra onde vivem os monstros. E se tornou rei de todos eles! Max reinou livre pela terra dos monstros com seus novos amigos… mas de repente sentiu falta de algo. Um clássico que versa sobre o desejo de liberdade das crianças, em sua forma mais selvagem.
Cristina brinca (Brinque-Book, 2024), de Micaela Chirif e Paula Ortiz com tradução de Julia Bussius
A amiga imaginária dessa história é mais real do que outras: é de pelúcia. A menina acorda a coelha. Serve chá para ela em sua casinha. Bota a coelha para brincar com as flores no jardim. E quando o dia acaba, coloca a sua amiga para dormir. Um retrato do afeto verdadeiro que as crianças são capazes de nutrir, dando vida e construindo histórias em seu próprio universo.
Lulu e o urso (Pequena Zahar, 2018), de Carolina Moreyra e Odilon Moraes
Enquanto a mãe trabalha, a menina está distraída explorando velhos objetos que estão em uma caixa. E o primeiro a sair dela é um grande urso de pelúcia, que a pequena logo transforma em amigo com criatividade e diversão.









