A intertextualidade é como se fosse uma conversa que se estabelece entre uma história e outra. É quando um texto ou uma imagem faz referência a personagens, enredos, bordões presentes em outras histórias, como explicamos nesta matéria sobre A vovó Grúfalo (Brinque-Book, 2026), dos ingleses Julia Donaldson e Axel Scheffler, que é um ótimo exemplo de intertextualidade. Mas está longe de ser o único.

A planta faminta, de Renato Moriconi, tem um apetite tao voraz quanto a lagarta de Eric Carle – e esse é um caminho de conexão entre elas
Nesta lista, reunimos obras que dialogam com outras obras de muitas formas diferentes, cada uma à sua maneira.
A vovó Grúfalo (Brinque-Book, 2026), de Julia Donaldson e Axel Schefflerç

A matriarca da família está a caminho para visitar o Grúfalo e a criança Grúfalo. E para recebê-la, nada melhor do que um belo jantar. E o ratinho (que você já conhece!) está prestes a se tornar o prato principal. Mas com muita astúcia, em uma referência clara à Sherazade do clássico As mil e uma noites, o pequeno roedor vai ganhando tempo, e distraindo seus predadores com uma história cada noite… Histórias assinadas pelos próprios autores: Carona na vassoura (Brinque-Book, 2012), O macaco danado (Brinque-Book, 1999) e O caracol e a baleia (Brinque-Book, 2019) .
Uma chapeuzinho vermelho (Companhia das Letrinhas, 2012), de Majorlaine Leyna com tradução de Júlia Moritz Schwarcz
Já pensou se a Chapeuzinho Vermelho não fosse tão ingênua assim? A intertextualidade nesta história é usada como uma ferramenta de inversão, que recalibra nossas expectativas sobre os personagens e traz um novo desfecho para esse conto tão conhecido. Um exercício interessante para apresentar às crianças diferentes pontos de vista.

Puxa-puxa! (Brinque-Book, 2024) de Tino Freitas, Léo Cunha e Weberson Santiago
A intertextualidade poderia ser considerada o coração deste livro-sanfona, em que personagens de várias histórias conhecidas se reúnem por um ótimo motivo: brincar de cabo de guerra. Chapeuzinho Vermelho, Capitão Gancho, Rapunzel e outros ícones medem forças, puxando de um lado e do outro da corda. E quem vencerá no final?

Bárbaro (Companhia das Letrinhas, 2013), de Renato Moriconi
Montado em seu cavalo, um bravo guerreiro nos leva por um passeio emocionante, entre altos e baixos, cheio de encontros com personagens e perigos que costumam aparecer em muitos contos e aventuras. Um ogro, um monstro verde em um lago (seria o lendário monstro do Lago Ness), diabretes, um dragão cuspidor de fogo… Parece familiar… e é.

Uma planta muito faminta (Companhia das Letrinhas, 2021), de Renato Moriconi
A protagonista desta história, uma planta gulosa e com uma fome insaciável, tem muito em comum com a lagarta de Eric Carle, também imortalizada por seu voraz apetite. Moriconi, inclusive, mostra uma lagarta muito, mas muito parecida com a de Carle logo no começo – e não, não é coincidência. Não importa o que a planta de Moriconi coma (e ela come de tudo MESMO). Ela continua com fome, mas ao contrário da lagarta de Carle, não tem nem sinal de dor de barriga.

Telefone sem fio (Companhia das Letrinhas, 2010), de Ilan Brenman e Renato Moriconi
Imagine só uma grande reunião de personagens icônicos, que vão se revelando a cada página ao cochichar no ouvido de quem está ao lado…. formando um extenso telefone sem fio! Pois é exatamente assim que acontece neste livro, que passeia por histórias conhecidas dispensando palavras e nos fazendo imaginar, pelas expressões de cada personagem, qual será o segredo sussurrado.

Quando você sai (Pequena Zahar, 2024), de Gastón Hauviller com tradução de Ana Tavares
Nesta intensa jornada íntima ricamente ilustrada pelo autor argentino, acompanhamos os sentimentos que entram em erupção no coração – e no corpo- de uma criança quando a mãe sai. Em diálogo com Maurice Sendak, que celebra tão fortemente a natureza selvagem das crianças, este livro faz uma referência sutil – mas nem tanto ao clássico Onde vivem os monstros – e o próprio livro aparece ilustrado na história criada por Hauviller.

Que história é essa? (Companhia das Letrinhas, 1995), de Flavio de Souza com ilustrações Pepe Casals
Apostamos que você já conhece todas as histórias deste livro. Mas aqui elas são apresentadas de um jeito diferente. Porque são personagens secundários que assumem a contação, trazendo novos pontos de vista. Imagina como é que o dragão narra a saga da Bela Adormecida ou o que o caçador tem a dizer sobre o episódio envolvendo Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. Neste livro, você vai descobrir.

