A literatura indígena está cada vez mais presente no catálogo dos nossos selos infantis. E esse é um movimento intencional e fundamental, como contamos aqui. Mas quantas autoras e autores indígenas você conhece? Quantas histórias indígenas você já leu?
Separamos aqui os livros de literatura indígena que fazem parte dos nossos selos infantis e que apresentam pelo menos uma pequena parte do rico universo que une tantos povos. Confira:
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Histórias de Índio (Companhia das Letrinhas, 1996), de Daniel Munduruku e Laurabeatriz

O primeiro livro indígena a fazer parte do catálogo dos selos infantis do grupo Companhia das Letras, começa com o conto do menino Kaxi, “O menino que não sabia sonhar”. Se ele não tivesse sido escolhido pelo pajé como seu sucessor, Kaxi poderia até ser como qualquer outro menino. Mas esse não era o caso. Na segunda parte, Munduruku conta suas impressões sobre o mundo do homem branco.
Kuján e os meninos sabidos (Companhia das Letrinhas, 2024), Aílton Krenak e Rita Carelli

Esta história, que já era recorrente nas falas de Krenak, ganhou as páginas dos livros com a parceria de Rita Carelli. Quando o próprio criador decide descer à Terra assumindo a forma de um tamanduá, um kuján, a tribo quer transformar o bicho em jantar. Apenas os meninos Roti e Cati compreenderam o que estava acontecendo e tentar salvar seu próprio criador. Uma história sobre o poder das crianças e dos saberes intuitivos, das coisas que simplesmente sabemos.
Maqueira de Tucum (Pequena Zahar, 2026), de Márcia Kambeba

Maqueira é um tipo de rede. Mas para os indígenas da aldeia Tuyuka, não se trata apenas de um lugar para descansar, mas para criar e contar histórias. E na aldeia desta história, a jovem Emoa ocupava uma posição especial: ela era a contadora de histórias. Até que um dia, uma epidemia assolou seu povo. E silenciou sua voz para sempre. No lugar onde Emoa foi enterrada, brotou uma palmeira chamada tucum. Uma narrativa que evoca a circularidade, em que vida e morte não são vistas como começo e fim, mas como transições.
Tuiupé e o maracá mágico (Canoa, 2024), de Auritha Tabajara e Tai

Neste manifesto amoroso escrito em forma de cordel, voltamos ao passado. Para um tempo longuíquo, de paz e de profunda conexão com a natureza, em que os povos originários viviam sem medo. Nesse tempo, a menina Tuiupé morava com seu pai, o pajé Saracura. Um dia, a garota precisou escapar de uma grande chuva, mas algo surpreendente aconteceu… Auritha Tabajara é a primeira mulher indígena a publicar livros de cordel no Brasil.
A pororoca (Brinque-Book, 2024), de Cláudia A. Flor D’Maria e Liu Olivina

Ela vem com tudo. Intensa. Avassaladora. Potente. Quando as águas do rio se encontram com o mar, nasce a pororoca. E como ela, tudo vai sendo arrastado. É como uma Mas depois que se acalma, a paisagem se transforma. Com ritmo, força e mistério, a pororoca é o fio condutor para que se revelem a cada página as paisagens da floresta amazônica e seus seres encantados.
Kabá Darebu (Brinque-Book, 2002), de Daniel Munduruku e Maté

Kabá é um menino de 7 anos. E seu nome foi escolhido por seu avô, para homenagear um sábio ancestral. É com essa sabedoria herdade, que o garoto nos apresenta uma nova forma de viver e conviver no mundo. A forma de seu povo, os Munduruku. Kabá nos apresenta os bichos, as plantas, o modo de vida na aldeia. E vai além. Nos conta que os animais devem ser tratados com o mesmo respeito que nossos parentes, que é preciso ouvir
O lago Pri Pri (Companhia das Letrinhas, 2025), de Truduá Dorrico e Martina Carvalho

Esta história vem do povo macuxi, que habita a região de Roraima, na área de tríplice fronteira entre o Brasil, a Guiana e a Venezuela. Tudo começa quando um homem macuxi se casa com uma mulher do povo kasna. Um povo que tinha uma característica fantástica: poder assumir a forma de aves ou a forma humana. Chega o dia em que a mulher decide levar o marido para conhecer seu pai, no reino dos céus. Mas ganhar a aprovação dos sogros se mostra mais difícil do que ele pensava.
TanãMak, uma guerreira Mura (Brinque-Book, 2025), de Márcia Mura e Raquel Teixeira

TanãMak é uma guerreira corajosa que faz parte do povo Mura, que habita as bacias dos rios Solimões, Amazonas e Madeira. Mas um dia ela também foi criança, foi uma cunhatãe. Nesta viagem, Tanãmak nos guia pelo Rio Madeira, chegando ao Igarapé Apuniã, com suas águas escuras, até retornar lago Peixe-Boi, de onde o barco partiu, em uma viagem circular.
Sou indígena! (Canoa, 2024), de Cláudia A. Flor D’Maria e Raquel Teixeira

Este poema-manifesto que exala orgulho celebra a alegria de se reconhecer indígena, celebrando as tradições e os costumes. Uma forma bonita de mostrar o que ser indígena representa.
Biguru (Companhia das Letrinhas, 2025), de Eva Potiguara e Lumina Pirilampus

De forma afetuosa, somos testemunhas de como floresce a relação tao bonita entre a menina Biguru e sua avó, Susana. Em uma viagem de volta à infância, compartilhamos da admiração de Biguru por aquele corpo miúdo e tão, tão forte. A matriarca, moldando o barro, guardando memórias, ocupa não só o papel de guardiã da família, mas da própria terra, sendo o cordão de conexão com a ancestralidade.
Originárias, uma antologia feminina de literatura indígena (Companhia das Letrinhas,2023), organização de Trudruá Dorrico e Mauricio Negro e ilustrações de Mauricio Negro

Pensada para leitoras e leitores a partir dos 9 anos, esta coletânea reúne contos e recontos de 12 autoras indígenas contemporâneas: Auritha Tabajara, Bruna Karipuna, Chirley Maria Pankará, Eliane Potiguara, Glicéria Tupinambá, Lidiane Damaceno Krenak, Márcia Mura, Naine Terena, Simone Karajá, Telma Taurepang, Trudruá Dorrico e Vanessa Kaingang. A seleção mistura experiências oníricas, relatos sobre a relação com a natureza e a ancestralidade, assim como um olhar atento para as relações humanas.
